O que é?

As emendas parlamentares têm um papel fundamental a cumprir no combate às desigualdades no acesso à saúde em nosso país.

Foi nesse sentido que a Rede Temática de Saúde do Grupo de Institutos, e Fundações e Empresas (GIFE) realizou no anos de 2023 e 2024 um levantamento sobre o perfil da distribuição das emendas parlamentares buscando analisar as preferências dos parlamentares na aplicação desses recursos e como tem se dado a sua distribuição nos municípios.

O primeiro relatório, lançado em outubro de 2023, inaugurou a iniciativa e apresentou dados referentes à distribuição territorial das emendas parlamentares no período de 2018 a 2022, com foco na atenção primária. O levantamento identificou um padrão de concentração das emendas em municípios pequenos, predominantemente rurais e com melhores indicadores de saúde em comparação com municípios da mesma região. Os resultados apontaram a necessidade de que parlamentares incorporem critérios técnicos nos seus processos de tomada de decisão sobre emendas, de forma a promover uma maior desconcentração de recursos e fortalecer a atenção primária em municípios que ainda apresentam maiores desafios.

O segundo relatório, lançado em outubro de 2024, atualizou a análise considerando dados da execução orçamentária de 2023. Os padrões de concentração de recursos observados nos anos anteriores se mantiveram. A principal inovação dessa segunda edição da pesquisa foi organizar os dados e indicadores analisados na forma de uma plataforma que pode ser livremente consultada pelos parlamentares e seus assessores - o objetivo é disponibilizar informações de fácil acesso para que esses atores possam avaliar a alocação de recursos nos seus estados e regiões de origem considerando critérios técnicos.

Nesta edição de 2025, além de atualizar os dados do diagnóstico e da plataforma, o principal objetivo é ampliar e qualificar a análise a respeito das desigualdades nos padrões de distribuição territorial das emendas. Novos indicadores, como a taxa de internações por causas sensíveis à atenção primária, foram incorporados à análise. Além disso, buscou-se comparar o padrão de distribuição territorial do gasto com emendas parlamentares e os critérios utilizados pelo Ministério da Saúde para definir a mesma alocação. O objetivo, neste caso, é compreender de que forma a aplicação de recursos por meio de emendas difere do padrão de distribuição definido de forma centralizada pelo Ministério com base em parâmetros técnicos pactuados na Comissão Intergestores Tripartite.

A partir desse estudo, buscamos oferecer recomendações para que os parlamentares possam ter mais subsídios técnicos para auxiliar sua tomada de decisão.

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O que diz o estudo?


 

  • A participação dos parlamentares na decisão sobre os gastos da Saúde voltou a aumentar. As emendas parlamentares representaram 10,7% do orçamento executado em Saúde em 2024. Consideradas apenas as despesas discricionárias, a participação dos parlamentares foi de 44%.
  • O volume de despesas com transferências voluntárias aos municípios cresceu de forma significativa em 2024 na comparação com 2023. As emendas correspondem a 79% dessas transferências.
  • As despesas com assistência hospitalar e ambulatorial alcançaram R$12 bilhões em 2024. Este montante representa 52,5% do total das emendas pagas no ano. Excluindo o ano atípico de 2020, este é o primeiro ano em que o percentual das emendas direcionadas à Assistência Hospitalar e Ambulatorial excede o valor aplicado na Atenção Básica (R$10,7 bi).
  • Os municípios mais beneficiados com emendas parlamentares seguem sendo aqueles que possuem uma capacidade já consolidada de oferecer serviços de atenção básica à sua população. Na comparação com o padrão de distribuição de recursos estabelecido pelo Ministério da Saúde, há uma concentração ainda maior de recursos nesse grupo de municípios.
  • A análise da distribuição dos recursos por resultados em Saúde e disponibilidade de recursos no nível municipal seguem demonstrando a concentração de recursos em locais com maior disponibilidade de recursos próprios e melhores resultados nos indicadores de Saúde. Este padrão não se mostrou diferente quando analisamos a proposta de distribuição de recursos adotada pelo Ministério da Saúde, revelando a necessidade de aprofundar o entendimento sobre as relações entre financiamento e desigualdades na oferta de serviços e indicadores de saúde.
  • De forma geral, os municípios que mais receberam emendas entre 2018 e 2024 registraram os maiores aumentos na oferta de consultas de APS por habitante e na cobertura de consultas de pré-natal. No entanto, os municípios que apresentaram redução nesses mesmos indicadores receberam valores de emendas acima da média. Esse cenário sugere que o aumento do financiamento via emendas tem contribuído para a expansão dos serviços de saúde na ponta, mas não de forma uniforme — é preciso compreender quais outros fatores condicionam a capacidade de ampliar a oferta.
  • A análise dos dados do portal do Fundo Nacional de Saúde (FNS) demonstra o alto grau de volatilidade dos repasses via emendas ao longo dos anos na comparação com os repasses feitos por determinação do MS, sejam eles obrigatórios ou voluntários. Na média dos municípios, o coeficiente de variação das emendas para Atenção Básica no período de 2021 a 2024 foi de 51%. O mesmo coeficiente, calculado para os demais repasses fundo a fundo do FNS foi de 12,1%. Essa instabilidade dificulta enormemente o planejamento financeiro e a gestão dos custos operacionais pelos municípios, especialmente aqueles que dependem mais dos repasses federais.
  • Por todos esses motivos, acreditamos que os parlamentares devem considerar critérios de equidade, levando em conta a necessidade de recursos, de universalização da atenção básica e de melhoria das condições de saúde na alocação de suas emendas, priorizando os municípios com indicadores que sugerem maior necessidade de financiamento adicional para a atenção primária.

  • Distribuição das emendas parlamentares e indicadores

    Consulte os indicadores dos municípios e regiões de saúde.

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